{"id":3451,"date":"2025-06-05T23:24:49","date_gmt":"2025-06-06T04:24:49","guid":{"rendered":"https:\/\/flacso.edu.ec\/accionnoviolenta\/?p=3451"},"modified":"2025-06-05T23:25:20","modified_gmt":"2025-06-06T04:25:20","slug":"equador-paralisacao-nacional-de-2022-uma-reflexao-a-partir-da-acao-nao-violenta-e-da-resistencia-civil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/flacso.edu.ec\/accionnoviolenta\/equador-paralisacao-nacional-de-2022-uma-reflexao-a-partir-da-acao-nao-violenta-e-da-resistencia-civil\/","title":{"rendered":"Equador: paralisa\u00e7\u00e3o nacional de 2022, uma reflex\u00e3o a partir da a\u00e7\u00e3o n\u00e3o violenta e da resist\u00eancia civil"},"content":{"rendered":"\t\t<div data-elementor-type=\"wp-post\" data-elementor-id=\"3451\" class=\"elementor elementor-3451\" data-elementor-post-type=\"post\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-088866e e-flex e-con-boxed e-con e-parent\" data-id=\"088866e\" data-element_type=\"container\" data-e-type=\"container\">\n\t\t\t\t\t<div class=\"e-con-inner\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-8070e4e elementor-widget elementor-widget-heading\" data-id=\"8070e4e\" data-element_type=\"widget\" data-e-type=\"widget\" data-widget_type=\"heading.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t<h2 class=\"elementor-heading-title elementor-size-default\">Equador: paralisa\u00e7\u00e3o nacional de 2022, uma reflex\u00e3o a partir da a\u00e7\u00e3o n\u00e3o violenta e da resist\u00eancia civil<\/h2>\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-4d017cbc e-flex e-con-boxed e-con e-parent\" data-id=\"4d017cbc\" data-element_type=\"container\" data-e-type=\"container\">\n\t\t\t\t\t<div class=\"e-con-inner\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-46b221d4 elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"46b221d4\" data-element_type=\"widget\" data-e-type=\"widget\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n<p class=\"has-text-align-right wp-block-paragraph\"><strong>&nbsp;<\/strong><strong><em>Alexis Colmenares Zapata<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A paz e a democracia s\u00e3o dois valores que t\u00eam em comum a toler\u00e2ncia e o respeito \u00e0s ideias divergentes. Ambas s\u00e3o constru\u00eddas com base na negocia\u00e7\u00e3o e na redu\u00e7\u00e3o da viol\u00eancia. Al\u00e9m disso, precisam ter uma dire\u00e7\u00e3o que permita \u00e0 sociedade unir esfor\u00e7os para alcan\u00e7ar o bem-estar coletivo. Nos \u00faltimos anos, o Equador tem experimentado uma s\u00e9rie de mudan\u00e7as pol\u00edticas, sociais e econ\u00f4micas que geraram um clima de incerteza e tens\u00e3o no pa\u00eds. Em julho de 2022, essa tens\u00e3o atingiu seu ponto m\u00e1ximo quando uma greve nacional liderada por organiza\u00e7\u00f5es ind\u00edgenas sacudiu o pa\u00eds e evidenciou a necessidade de enfrentar, de maneira eficaz, os desafios da sociedade equatoriana. Esses acontecimentos s\u00e3o prop\u00edcios para uma breve reflex\u00e3o sobre a a\u00e7\u00e3o n\u00e3o violenta como ferramenta-chave no processo de resist\u00eancia civil no Equador.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em junho de 2022, o pa\u00eds sul-americano vivenciou uma das paralisa\u00e7\u00f5es mais longas da sua hist\u00f3ria recente, com dura\u00e7\u00e3o de 18 dias, estendendo-se por boa parte do territ\u00f3rio nacional, com maior intensidade nas prov\u00edncias da regi\u00e3o andina e amaz\u00f4nica, especialmente na capital. A origem desses tumultos estava na insatisfa\u00e7\u00e3o de diversas organiza\u00e7\u00f5es sociais e representantes ind\u00edgenas com as pol\u00edticas de Guillermo Lasso, que completava, em 24 de maio de 2022, seu primeiro ano de governo no Pal\u00e1cio de Carondelet.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Durante a primeira semana, ocorreram mobiliza\u00e7\u00f5es em \u00e1reas rurais e em cidades como Quito. Na segunda semana, grupos ind\u00edgenas e camponeses, liderados pela Confedera\u00e7\u00e3o de Nacionalidades Ind\u00edgenas do Equador (Conaie), se dirigiram \u00e0 capital, e outras manifesta\u00e7\u00f5es ocorreram nas principais cidades andinas, o que resultou na paralisa\u00e7\u00e3o do pa\u00eds e na escassez de alimentos e produ\u00e7\u00e3o. Por fim, na terceira semana, chegou-se a um acordo com o governo para cessar as medidas de fato.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As organiza\u00e7\u00f5es ind\u00edgenas condicionaram o fim da greve \u00e0 resposta do governo a uma pauta de dez pontos com diferentes reivindica\u00e7\u00f5es. As exig\u00eancias abrangiam diversos \u00e2mbitos, como o congelamento dos pre\u00e7os dos combust\u00edveis, a morat\u00f3ria das d\u00edvidas com bancos p\u00fablicos, privados e cooperativas, a n\u00e3o amplia\u00e7\u00e3o da fronteira do extrativismo mineral, o combate \u00e0 inseguran\u00e7a, mais or\u00e7amento para a educa\u00e7\u00e3o intercultural e pre\u00e7os justos para os produtos do campo, entre outras.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Durante as tr\u00eas semanas de protesto, a conflitividade e a viol\u00eancia marcaram o cen\u00e1rio social e pol\u00edtico do pa\u00eds. As manifesta\u00e7\u00f5es assumiram um tom cada vez mais violento em v\u00e1rias prov\u00edncias. Houve deteriora\u00e7\u00e3o de espa\u00e7os p\u00fablicos, ataques a instala\u00e7\u00f5es oficiais e confrontos entre manifestantes, for\u00e7as do Estado e infiltrados. Pode-se mencionar, por exemplo, o ataque \u00e0 Procuradoria-Geral do Estado e a escalada de viol\u00eancia na cidade de Puyo \u2014 na Amaz\u00f4nia equatoriana. O resultado mais not\u00e1vel foi a perda de vidas humanas e muitos feridos de ambos os lados, al\u00e9m de danos \u00e0 infraestrutura, grandes perdas econ\u00f4micas, ressentimentos, vandalismo e frustra\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Essa greve foi um chamado \u00e0 a\u00e7\u00e3o por parte das comunidades ind\u00edgenas e outras organiza\u00e7\u00f5es sociais que buscavam proteger seus direitos e o meio ambiente. As manifesta\u00e7\u00f5es tiveram efeitos sociais e pol\u00edticos importantes, mobilizando um grande setor das classes populares e obrigando os poderes do Estado a reconhecerem a crise e a prestarem aten\u00e7\u00e3o a ela. Dessa forma, os tomadores de decis\u00e3o e seus representantes foram surpreendidos pela a\u00e7\u00e3o direta das classes populares, especialmente dos ind\u00edgenas e camponeses.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Assim, o protesto de junho de 2022, que incluiu manifesta\u00e7\u00f5es pac\u00edficas, bloqueios de estradas e paralisa\u00e7\u00f5es de setores-chave da economia nacional, foi uma ferramenta fundamental no processo de resist\u00eancia civil e uma resposta \u00e0 falta de di\u00e1logo e escuta por parte do governo. Por meio da organiza\u00e7\u00e3o de manifesta\u00e7\u00f5es, os movimentos sociais conseguiram chamar a aten\u00e7\u00e3o da opini\u00e3o p\u00fablica e pressionar as autoridades a ouvir suas demandas. O uso da manifesta\u00e7\u00e3o como forma de resist\u00eancia demonstrou \u2014 mais uma vez \u2014 a capacidade dos movimentos sociais de alcan\u00e7ar seus objetivos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Embora a face mais vis\u00edvel das manifesta\u00e7\u00f5es tenha se expressado por meio de grandes mobiliza\u00e7\u00f5es, bloqueios de estradas e interrup\u00e7\u00e3o do transporte, tamb\u00e9m se percebeu a falta de esfor\u00e7os e estrat\u00e9gias por parte das lideran\u00e7as ind\u00edgenas para manter a disciplina n\u00e3o violenta e conter os focos de viol\u00eancia. O uso da viol\u00eancia dentro de um movimento n\u00e3o violento pode ter efeitos negativos, como a deslegitima\u00e7\u00e3o e o desest\u00edmulo \u00e0 participa\u00e7\u00e3o. Portanto, a melhor maneira de manter a legitimidade das reivindica\u00e7\u00f5es dos povos ind\u00edgenas e o apoio da opini\u00e3o p\u00fablica era preservar o car\u00e1ter n\u00e3o violento do protesto.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A resist\u00eancia civil e a a\u00e7\u00e3o n\u00e3o violenta s\u00e3o processos cada vez mais comuns na luta pelos direitos humanos e pela justi\u00e7a social em todo o mundo. A a\u00e7\u00e3o n\u00e3o violenta \u00e9 uma forma de protesto que busca alcan\u00e7ar mudan\u00e7as sociais e pol\u00edticas sem recorrer \u00e0 viol\u00eancia f\u00edsica ou verbal. Essa estrat\u00e9gia pode incluir manifesta\u00e7\u00f5es pac\u00edficas, desobedi\u00eancia civil, greves de fome, boicotes, entre outras formas de resist\u00eancia n\u00e3o violenta. No caso do Equador, pode-se mencionar a ocupa\u00e7\u00e3o simb\u00f3lica do Parque El Arbolito e da Casa da Cultura em Quito, durante a greve nacional de junho de 2022. Essas formas de resist\u00eancia foram essenciais para a constru\u00e7\u00e3o de uma sociedade mais justa e equitativa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Foi assim que, ap\u00f3s a aceita\u00e7\u00e3o do di\u00e1logo entre as partes em conflito, em 30 de junho de 2022, as organiza\u00e7\u00f5es ind\u00edgenas e o governo nacional conseguiram assinar um acordo com a media\u00e7\u00e3o da Confer\u00eancia Episcopal Equatoriana para encerrar a greve nacional. As partes assinaram um \u201cAto pela Paz\u201d, onde foram estabelecidos os consensos e compromissos alcan\u00e7ados. Em um primeiro momento, o Executivo aceitou reduzir o pre\u00e7o dos combust\u00edveis, trabalhar para focalizar o subs\u00eddio \u00e0 gasolina, revogar o Decreto Executivo 95 sobre hidrocarbonetos e reformar o Decreto Executivo 151 para proibir a atividade mineradora em \u00e1reas protegidas. Por sua vez, as organiza\u00e7\u00f5es ind\u00edgenas declararam o fim das mobiliza\u00e7\u00f5es em todo o pa\u00eds e o retorno \u00e0s comunidades, assim como a suspens\u00e3o de todo ato que pudesse afetar a paz e a ordem p\u00fablica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A constru\u00e7\u00e3o da paz tamb\u00e9m foi um aspecto fundamental durante a greve nacional. Apesar da intensidade das manifesta\u00e7\u00f5es, de alguns focos de viol\u00eancia e do desacordo pol\u00edtico, o uso da a\u00e7\u00e3o n\u00e3o violenta e a coopera\u00e7\u00e3o entre os diversos movimentos sociais permitiram reunir pessoas de diferentes comunidades e grupos sociais com o objetivo de trabalharem juntas por uma causa comum.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Por meio da promo\u00e7\u00e3o de valores como justi\u00e7a, igualdade e solidariedade, os movimentos sociais contribu\u00edram para criar um ambiente de confian\u00e7a e di\u00e1logo, o que permitiu uma negocia\u00e7\u00e3o mais eficaz entre as partes envolvidas. A coopera\u00e7\u00e3o e o trabalho em equipe foram fundamentais para alcan\u00e7ar avan\u00e7os significativos na luta pela justi\u00e7a social e pelos direitos humanos no pa\u00eds. Al\u00e9m disso, a a\u00e7\u00e3o n\u00e3o violenta e a resist\u00eancia pac\u00edfica possibilitaram a cria\u00e7\u00e3o de um espa\u00e7o de di\u00e1logo e escuta m\u00fatua, contribuindo para maior compreens\u00e3o e para uma solu\u00e7\u00e3o pac\u00edfica dos conflitos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Entretanto, a constru\u00e7\u00e3o da paz no Equador n\u00e3o \u00e9 um processo f\u00e1cil nem r\u00e1pido. \u00c9 um processo que exige a participa\u00e7\u00e3o ativa e comprometida de todas as partes interessadas, incluindo as autoridades, as comunidades ind\u00edgenas e as organiza\u00e7\u00f5es sociais. A repress\u00e3o e a viol\u00eancia continuam sendo um problema recorrente, e as demandas das organiza\u00e7\u00f5es ind\u00edgenas e de outros grupos marginalizados seguem sem ser plenamente atendidas. Do ponto de vista da paz negativa \u2014 termo cunhado por Johan Galtung, uma refer\u00eancia obrigat\u00f3ria nos Estudos de Paz e Conflito \u2014, entendida como a redu\u00e7\u00e3o da viol\u00eancia direta, podemos considerar que o Ato pela Paz cumpriu seu objetivo de cessar a viol\u00eancia e o confronto violento entre manifestantes e for\u00e7as de seguran\u00e7a, atendendo \u00e0s causas imediatas do conflito \u2014 os dez pontos exigidos pelas organiza\u00e7\u00f5es ind\u00edgenas. No entanto, devemos refletir \u2014 e questionar \u2014 se tais acordos abordaram as causas subjacentes que geram e continuar\u00e3o a gerar uma viol\u00eancia invis\u00edvel e muito mais profunda, como a discrimina\u00e7\u00e3o, a exclus\u00e3o hist\u00f3rica, o racismo e as grandes desigualdades sociais, apenas para mencionar algumas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Num contexto de viol\u00eancia estrutural, cultural e direta, no Equador surgem, de tempos em tempos, rela\u00e7\u00f5es de conviv\u00eancia conflituosas devido \u00e0 discrimina\u00e7\u00e3o. Al\u00e9m disso, n\u00e3o h\u00e1 um reconhecimento generalizado dos problemas de racismo e exclus\u00e3o social presentes na sociedade equatoriana. Tanto a sensibilidade ao conflito como a gest\u00e3o de riscos apontam para a import\u00e2ncia de gerar uma vis\u00e3o coletiva de futuro para a constru\u00e7\u00e3o e o empoderamento dos atores sociais, visando uma imagem desejada para o Equador em um horizonte de curto, m\u00e9dio e longo prazo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c9 importante continuar trabalhando juntos para construir um futuro mais justo e pac\u00edfico para todos os habitantes do Equador. A a\u00e7\u00e3o n\u00e3o violenta, a resist\u00eancia civil e os movimentos sociais s\u00e3o ferramentas poderosas para alcan\u00e7ar mudan\u00e7as positivas na sociedade. Para alcan\u00e7ar uma sociedade verdadeiramente pac\u00edfica e justa no pa\u00eds, \u00e9 essencial enfrentar os desafios das comunidades a partir de uma perspectiva integral. Isso significa n\u00e3o apenas tratar das quest\u00f5es econ\u00f4micas e pol\u00edticas, mas tamb\u00e9m dos desafios culturais e sociais enfrentados pelas comunidades mais vulner\u00e1veis do pa\u00eds.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong><em>Alexis Colmenares Zapata<br><\/em><\/strong>Doutor em Estudos Internacionais, diplomata de carreira (2002\u20132017). Professor na Universidad San Francisco de Quito, no Instituto de Altos Estudos Nacionais (IAEN) e na Flacso Equador.<br><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Traduzido por: Rafael Moreira<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;Publicado: 16 de fevereiro de 2023<\/p>\n\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Equador: paralisa\u00e7\u00e3o nacional de 2022, uma reflex\u00e3o a partir da a\u00e7\u00e3o n\u00e3o violenta e da resist\u00eancia civil &nbsp;Alexis Colmenares Zapata A paz e a democracia s\u00e3o dois valores que t\u00eam em comum a toler\u00e2ncia e o respeito \u00e0s ideias divergentes. Ambas s\u00e3o constru\u00eddas com base na negocia\u00e7\u00e3o e na redu\u00e7\u00e3o da viol\u00eancia. 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