{"id":2738,"date":"2024-10-19T21:32:56","date_gmt":"2024-10-20T02:32:56","guid":{"rendered":"https:\/\/flacso.edu.ec\/accionnoviolenta\/?p=2738"},"modified":"2024-10-22T00:50:18","modified_gmt":"2024-10-22T05:50:18","slug":"a-passividade-nao-e-resistencia-nao-violenta","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/flacso.edu.ec\/accionnoviolenta\/a-passividade-nao-e-resistencia-nao-violenta\/","title":{"rendered":"A passividade n\u00e3o \u00e9 resist\u00eancia n\u00e3o violenta"},"content":{"rendered":"\t\t<div data-elementor-type=\"wp-post\" data-elementor-id=\"2738\" class=\"elementor elementor-2738\" data-elementor-post-type=\"post\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-ff46bc4 e-flex e-con-boxed e-con e-parent\" data-id=\"ff46bc4\" data-element_type=\"container\" data-e-type=\"container\">\n\t\t\t\t\t<div class=\"e-con-inner\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-72de763 elementor-widget elementor-widget-heading\" data-id=\"72de763\" data-element_type=\"widget\" data-e-type=\"widget\" data-widget_type=\"heading.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t<h2 class=\"elementor-heading-title elementor-size-default\">A passividade n\u00e3o \u00e9 resist\u00eancia n\u00e3o violenta<\/h2>\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-ed06302 e-flex e-con-boxed e-con e-parent\" data-id=\"ed06302\" data-element_type=\"container\" data-e-type=\"container\">\n\t\t\t\t\t<div class=\"e-con-inner\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-7174a11 elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"7174a11\" data-element_type=\"widget\" data-e-type=\"widget\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\n<p class=\"has-text-align-right wp-block-paragraph\"><em>Pryanka Pe\u00f1afiel Cevallos<\/em><\/p>\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Desde a cria\u00e7\u00e3o do Instituto Regional para o Estudo e Pr\u00e1tica da A\u00e7\u00e3o N\u00e3o Violenta Estrat\u00e9gica nas Am\u00e9ricas, por meio de nossos cursos virtuais, webinars, blogs e podcasts, temos tido o objetivo de difundir o conhecimento, as experi\u00eancias e as vozes de diferentes campanhas e movimentos de resist\u00eancia n\u00e3o violenta em nossa regi\u00e3o. No entanto, muitas pessoas que participam de nossos cursos, que nos leem, nos escutam ou t\u00eam algum contato com o nosso projeto ainda nos perguntam: O que \u00e9 viol\u00eancia e o que \u00e9 paz? O que \u00e9 a n\u00e3o viol\u00eancia? O que \u00e9 a\u00e7\u00e3o n\u00e3o violenta? Isso \u00e9 o mesmo que pacifismo? Como sei que o que estou fazendo em minha comunidade \u00e9 uma a\u00e7\u00e3o n\u00e3o violenta? Ent\u00e3o, percebemos que \u00e9 justamente a\u00ed que devemos come\u00e7ar, esclarecendo o que \u00e9 a resist\u00eancia n\u00e3o violenta e por que temos tanto interesse nela.<\/p>\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A resist\u00eancia n\u00e3o violenta \u00e9 um m\u00e9todo de luta com uma longa hist\u00f3ria cujas ra\u00edzes podem remontar a religi\u00f5es e culturas espec\u00edficas, \u00e0 \u00e9tica e responsabilidade individual, ou \u00e0 conhecida resist\u00eancia de Mahatma Gandhi contra o colonialismo brit\u00e2nico na \u00cdndia. Gandhi entendia a n\u00e3o viol\u00eancia n\u00e3o apenas como a oposi\u00e7\u00e3o ao conceito limitado de viol\u00eancia, ou seja, a viol\u00eancia f\u00edsica, direta, vis\u00edvel e manifesta, mas tamb\u00e9m como uma forma de persuas\u00e3o para conquistar os oponentes ao confrontar coletivamente as injusti\u00e7as sociais, por\u00e9m sem causar danos. Com isso, n\u00e3o nos referimos a manter a \u00abpaz\u00bb e o status quo da sociedade. Na resist\u00eancia n\u00e3o violenta, a paz \u00e9 entendida n\u00e3o apenas de forma negativa, como a aus\u00eancia de viol\u00eancia f\u00edsica, mas tamb\u00e9m de forma positiva: a paz como a aus\u00eancia de viol\u00eancias diretas, estruturais e culturais que privam os seres humanos de seus direitos.<\/p>\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">V\u00e1rios acad\u00eamicos e acad\u00eamicas t\u00eam insistido na necessidade de distinguir a n\u00e3o viol\u00eancia como uma filosofia de vida baseada em princ\u00edpios \u00e9ticos da resist\u00eancia n\u00e3o violenta, entendida como uma pr\u00e1tica e a\u00e7\u00e3o pol\u00edtica estrat\u00e9gica. No s\u00e9culo XX, a n\u00e3o viol\u00eancia come\u00e7ou a ser entendida mais como uma ferramenta deliberada para a mudan\u00e7a social, passando da defini\u00e7\u00e3o ancorada em princ\u00edpios religiosos ou \u00e9ticos para uma compreens\u00e3o mais pragm\u00e1tica, como m\u00e9todos reflexivos, estrat\u00e9gicos e institucionalizados de mudan\u00e7a social. E j\u00e1 no s\u00e9culo XXI, a resist\u00eancia n\u00e3o violenta come\u00e7ou a ser estudada como um campo acad\u00eamico independente, com seus pr\u00f3prios m\u00e9todos, ra\u00edzes te\u00f3ricas e metodol\u00f3gicas.<\/p>\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Gene Sharp, um dos principais te\u00f3ricos da resist\u00eancia n\u00e3o violenta, rejeitou o uso do termo \u00abn\u00e3o viol\u00eancia\u00bb para se referir \u00e0s a\u00e7\u00f5es pol\u00edticas, devido \u00e0 sua ambiguidade e confus\u00e3o com v\u00e1rios tipos de n\u00e3o viol\u00eancia baseados em princ\u00edpios. Ele prop\u00f4s chamar de \u00abluta n\u00e3o violenta\u00bb a diversos m\u00e9todos espec\u00edficos de a\u00e7\u00e3o psicol\u00f3gica, social, econ\u00f4mica e pol\u00edtica que n\u00e3o utilizam a viol\u00eancia f\u00edsica. Os m\u00e9todos e t\u00e1ticas da resist\u00eancia n\u00e3o violenta s\u00e3o variados e podem incluir atos de omiss\u00e3o, comiss\u00e3o e uma combina\u00e7\u00e3o de ambos (veja 198 m\u00e9todos de a\u00e7\u00e3o n\u00e3o violenta [Sharp] e 346 t\u00e1ticas de resist\u00eancia n\u00e3o violenta [Beer]). Portanto, a resist\u00eancia n\u00e3o violenta \u2014 ou satyagraha, a\u00e7\u00e3o direta, a\u00e7\u00e3o n\u00e3o violenta, luta n\u00e3o violenta, poder popular, resist\u00eancia civil, entre muitos outros \u2014 refere-se ao uso de meios n\u00e3o violentos e n\u00e3o convencionais contra um ou mais oponentes para alcan\u00e7ar mudan\u00e7as diante de uma situa\u00e7\u00e3o percebida como injusta. Em outras palavras, a resist\u00eancia n\u00e3o violenta tem um enfoque pragm\u00e1tico; ela \u00e9 usada pela efic\u00e1cia das a\u00e7\u00f5es, seja para obter reformas ou mudan\u00e7as estruturais.<\/p>\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Com isso, queremos explicar que muitas das pessoas que formam ou se unem a um movimento ou campanha de a\u00e7\u00e3o n\u00e3o violenta n\u00e3o est\u00e3o necessariamente motivadas pela n\u00e3o viol\u00eancia baseada em princ\u00edpios \u00e9ticos, mas sim pela efetividade da resist\u00eancia civil. A resist\u00eancia n\u00e3o violenta n\u00e3o tem uma rela\u00e7\u00e3o direta com o pacifismo. Em outras palavras, nem todas as pessoas que praticam a\u00e7\u00f5es n\u00e3o violentas s\u00e3o pacifistas ou t\u00eam uma religi\u00e3o determinada, porque a resist\u00eancia n\u00e3o violenta n\u00e3o define um modo de vida espec\u00edfico baseado em certas cren\u00e7as. Pelo contr\u00e1rio, a resist\u00eancia civil chama ao ativismo e \u00e0 a\u00e7\u00e3o direta, planejada, estrat\u00e9gica e disciplinada, executando a\u00e7\u00f5es que se fundamentem no respeito aos direitos humanos universais e que visem construir sociedades mais justas e inclusivas.<\/p>\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Embora alguns ativistas estejam eticamente comprometidos com a n\u00e3o viol\u00eancia como forma de vida, a a\u00e7\u00e3o n\u00e3o violenta n\u00e3o exige que os ativistas estejam moralmente comprometidos com o pacifismo ou a n\u00e3o viol\u00eancia como princ\u00edpio \u00e9tico. O que preciso, ent\u00e3o, para entender a resist\u00eancia n\u00e3o violenta? Precisamos entender o fator de efetividade dela, saber que a resist\u00eancia se baseia em m\u00e9todos estrat\u00e9gicos, sustent\u00e1veis e taticamente diversos, realizados pelo povo para exercer poder sem utilizar a viol\u00eancia.<\/p>\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em seu livro, <em>Estudos de Paz e Conflito<\/em>, C\u00e9cile Mouly explica que as principais caracter\u00edsticas da a\u00e7\u00e3o n\u00e3o violenta ou resist\u00eancia civil s\u00e3o:<\/p>\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>\u00c9 usada por cidad\u00e3os que buscam uma mudan\u00e7a social para superar os desafios que representam oponentes mais poderosos no sentido tradicional do poder.<\/li>\n\n<li>Faz uso de m\u00e9todos n\u00e3o convencionais (ou seja, extrainstitucionais). Isso n\u00e3o significa que as pessoas envolvidas em campanhas de resist\u00eancia civil rejeitem m\u00e9todos convencionais, como negocia\u00e7\u00f5es, processos judiciais ou eleitorais. Na pr\u00e1tica, muitos movimentos n\u00e3o violentos combinam a resist\u00eancia civil com m\u00e9todos convencionais. Por exemplo, a campanha de resist\u00eancia n\u00e3o violenta contra o regime de Pinochet no Chile (1983\u20131989), que culminou na realiza\u00e7\u00e3o de um referendo.<\/li>\n\n<li>Implica n\u00e3o recorrer \u00e0 viol\u00eancia f\u00edsica nem amea\u00e7ar com seu uso.<\/li>\n\n<li>\u00c9 um esfor\u00e7o sustentado. Um protesto n\u00e3o \u00e9 suficiente para se falar em resist\u00eancia civil. Requer um processo no qual diversos atores sociais buscam mudan\u00e7as por meio de v\u00e1rios m\u00e9todos n\u00e3o violentos.<\/li>\n<\/ul>\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A a\u00e7\u00e3o n\u00e3o violenta entende que o consentimento e a obedi\u00eancia das pessoas comuns mant\u00eam os poderosos no poder. Portanto, se o povo come\u00e7ar a questionar a ordem estabelecida, retirando seu consentimento e recusando-se a obedecer, os poderosos perder\u00e3o sua influ\u00eancia. Tamb\u00e9m reconhece que, ao reduzir sua depend\u00eancia dos poderosos e conquistar maior autonomia, os grupos oprimidos podem fortalecer seu pr\u00f3prio poder. Gra\u00e7as \u00e0 capacidade de alterar o equil\u00edbrio de poder, a a\u00e7\u00e3o n\u00e3o violenta conseguiu p\u00f4r fim a sistemas coloniais, ditaduras e muitas outras formas de injusti\u00e7a. Em resumo, a efic\u00e1cia em obter resultados e mudan\u00e7as, a vantagem de participa\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s insurg\u00eancias violentas e a probabilidade de fortalecer regimes democr\u00e1ticos s\u00e3o o que nos impulsiona a acreditar que a forma de construir sociedades mais justas e igualit\u00e1rias \u00e9 por meio da a\u00e7\u00e3o. N\u00e3o \u00e9 a passividade, a manuten\u00e7\u00e3o do status quo ou a defesa de uma paz negativa que mudar\u00e1 o mundo: s\u00e3o as a\u00e7\u00f5es estrat\u00e9gicas e planejadas de resist\u00eancia n\u00e3o violenta.<\/p>\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>Pryanka Pe\u00f1afiel Cevallos<\/em><em><br \/><\/em>Coordenadora do Instituto Regional para o Estudo e Pr\u00e1tica da A\u00e7\u00e3o N\u00e3o Violenta Estrat\u00e9gica nas Am\u00e9ricas. Possui mestrado em Pesquisa em Rela\u00e7\u00f5es Internacionais pela Flacso Equador e \u00e9 estudante de doutorado na Universidade de Massachusetts \u2013 Boston (Estados Unidos).<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Texto traduzido por Carla Habif<\/p>\n\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A passividade n\u00e3o \u00e9 resist\u00eancia n\u00e3o violenta Pryanka Pe\u00f1afiel Cevallos Desde a cria\u00e7\u00e3o do Instituto Regional para o Estudo e Pr\u00e1tica da A\u00e7\u00e3o N\u00e3o Violenta Estrat\u00e9gica nas Am\u00e9ricas, por meio de nossos cursos virtuais, webinars, blogs e podcasts, temos tido o objetivo de difundir o conhecimento, as experi\u00eancias e as vozes de diferentes campanhas e <\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":2739,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"_themeisle_gutenberg_block_has_review":false,"footnotes":""},"categories":[44,20],"tags":[],"class_list":["post-2738","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noviolencia-2","category-varios-es"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/flacso.edu.ec\/accionnoviolenta\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2738","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/flacso.edu.ec\/accionnoviolenta\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/flacso.edu.ec\/accionnoviolenta\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/flacso.edu.ec\/accionnoviolenta\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/flacso.edu.ec\/accionnoviolenta\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2738"}],"version-history":[{"count":7,"href":"https:\/\/flacso.edu.ec\/accionnoviolenta\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2738\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2754,"href":"https:\/\/flacso.edu.ec\/accionnoviolenta\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2738\/revisions\/2754"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/flacso.edu.ec\/accionnoviolenta\/wp-json\/wp\/v2\/media\/2739"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/flacso.edu.ec\/accionnoviolenta\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2738"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/flacso.edu.ec\/accionnoviolenta\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2738"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/flacso.edu.ec\/accionnoviolenta\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2738"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}